" A meu ver, um passo importante na minha recuperação foi quando eu pude fazer uma diferenciação entre o sentimento de culpa e o de vergonha.

A culpa é um sentimento que aparece quando eu transgrido meu sistema de valores. Ou seja, eu logo penso: eu cometi um erro, mas posso consertar meu erro, ou pedindo desculpas, ou fazendo diferente, ou ambos.

Agora, o sentimento de vergonha vem da minha apreciação do meu valor como pessoa. Eu me sinto incapaz, inadequada, com a auto-estima lá no chão, e me desvalorizo. Quando sinto vergonha, meus pensamentos são: ninguém gosta de mim e nem poderia, afinal, eu sou um erro, um fracasso, uma droga, sou uma pessoa ruim que prejudica os outros.

Nos meus tempos de tímida patológica eu costumava sentir vergonha de mim mesma, e me achava uma droga. A vergonha de mim mesma me impedia de enxergar os fatos
sobriamente. Eu passei a analisar o seguinte: cometi um erro, mas posso corrigir, ou se não puder, posso aprender com meu erro. Mas isso não significa que eu seja merecedora da fogueira da inquisição.

Essa distinção entre culpa e vergonha foi crucial pra mim. Eu presto muita atenção a como falo comigo mesma (não fico mais me xingando interiormente de SUA BURRA,
SUA INCAPAZ, etc). Eu sou digna de amor e respeito, como qualquer pessoa. Eu cometo erros, mas eu NÃO SOU UM ERRO."


M. São Paulo